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sábado, 21 de outubro de 2017

À morte nego a razão




Oiço,
Desde aqui,
As horas badaladas na torre da igreja.
Lembram-me outros sinos,
Outro tempo.
Não o tempo de mim,
Mas aquele que vibra e reclama
Os anos passados,
Os tempos de ninguém
Onde a morte foi raínha,
Minha...

Eu quero viver e morrer!
Viver pelo muito que amo.
Morrer,
Por ser desprezado,
Apagado dos vivos
Com o óbito da desgraça,
Sempre á margem,
A ver o que se passa
Adentro do coração.

Ouço os sinos
Por lamentos do enterro
Que sustento, em mim,
Na morte duma paixão.

É tudo tão vivo e presente,
Que eu à morte nego a razão.



SOL da Esteva

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sábado, 14 de outubro de 2017

Alguém que não se chora?




Há muito que me perdi
Pelos meandros
Do fui e do que sou
(E não sou nada!)
Descobri essa verdade
Quando alguém me falou
Dos erros que cometi
Na minha vida passada.

Não irei remediar
O mal que pude causar,
Provado por cada dia
Dos tempos que já lá vão.

...Sou uma desilusão!

Por meu mal,
Eu não vou recomeçar,
Porque o tempo primitivo
Não vai voltar.

E agora?

Sou mais um caso perdido
Entre o lixo social?
Sou alguém que não se chora?



SOL da Esteva

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sábado, 7 de outubro de 2017

Terei muito que esperar?




Chuva triste,
Cobre de gotas finas, frias,
O esmalte do retrato
Sobre quem eu meditava...
A terra era tão fria,
Quanto o calor do seu corpo
Que ali, na campa, jazia.
Nada de mim te lembrava,
Que, enquanto tu foste viva,
Foste a Mãe que eu amava.

Desde o Além,
Conheces quanto me tem
No pensamento,
Quanto do teu conselho oiço
Em tão profundo silêncio...

Sabe,
Sinto pulsar, aqui dentro,
A tua voz conselheira
De Amiga verdadeira
Que jamais me trairá.

Oiço-te desde a lonjura
Dum passo:
A distância que nos separa,
A vala de sepultura.

Limpei teu rosto gelado
Em busca do olhar transparente,
Para que ficasse gravado
Neste passado presente.

E em toda
A imensa tristeza
Que devora a minha Alma,
Tive a tua comunhão.

Uma gota desta chuva
Pelo mármore rolou,
Aos teus olhos se prendeu
E por lágrima ficou.

Chorei amargamente
Pela mensagem tão viva.
É Amor, estranhamente,
Após a tua partida...

Senti que iria voltar,
Procurando o teu saber,
A Amizade e o querer,
Porque eu não sei Amar.

Cruzam-se, nos céus, os caminhos
Mas eu não quero acordar
Do sono que faz viver.

Terei muito que esperar?
Qual a hora de morrer?



SOL da Esteva

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sábado, 30 de setembro de 2017

O que a gente sente





Agora,
Creio ter descoberto a Amizade,
O querer, a liberdade
Que entre nós se firmou.

Senti profundamente
O calor da Alma,
O afago doce,
O pulsar contente...

Terei encontrado a verdade?
Pura novidade!

... Sei! É o que a gente sente.



SOL da Esteva

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sábado, 23 de setembro de 2017

Tempos iguais




 

Vai batendo apressado, coração,
Como a vida que se esvai por entre os dedos.
Essa Vida, o Amor e os segredos
Ainda deixam doce recordação?

Sossega nesse compasso, coração,
E aguarda que o destino esmague os medos,
Porque essas ânsias e os pensamentos ledos,
Irás senti-los, seguros, sem razão.

Sei porque teimas em não caber no peito,
Saltando, tentando do lugar sair,
Seguindo a voz e o guia imperfeito.

Jamais terás os impulsos naturais,
Ou as contas a fazer, com o sentir;
Repetirás, sem cessar, tempos iguais.



SOL da Esteva

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